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A árdua missão de um mestre de bateria

Krlinhos Alcântara expõe sua visão sobre o quesito Bateria e seus responsáveis no carnaval de Porto Alegre.


O carnaval de Porto Alegre sempre teve sua própria identidade por muitos anos e, ao passar do tempo, isso foi caindo por vários fatores, mas principalmente pelos problemas financeiros e pelos problemas políticos. Tudo isso afetou a estrutura do nosso carnaval. Refletiu dentro das escolas de samba e automaticamente nas baterias, com a falta de instrumentos, com a falta de manutenção dos mesmos e a falta de estrutura para as baterias poderem realizar o trabalhar durante o ano todo com os seus ritmistas.


Se dependesse de nós, mestres e diretores de bateria, o ritmista teria um tratamento muito diferente, até porque o ritmista não recebe para estar ensaiando e muitas vezes deixa sua família em casa para poder ensaiar por amor à escola. Para muitos, os ritmistas têm a obrigação de ir ensaiar, sendo que, às vezes, a escola não se preocupa em oferecer aos ritmistas uma água, ou um lanche depois de tocarem durante 3, 4 horas de ensaio, ou ainda se terão passagem para ir embora para suas casas.


Com tudo isso, hoje temos afastamento e a falta deles dentro das escola de samba. Para alguns presidentes, o mestre tem que ter sua própria bateria e isso está errado.


Lembrando, quem tem que ter ritmistas é a escola de samba e não o mestre de bateria. Hoje em dia a missão de um mestre de bateria é uma tarefa árdua e a falta de planejamento social, por parte das escolas, e a falta de estrutura dada aos diretores acaba estourando na falta de novos ritmistas. 

Hoje temos mais de 20 escolas no carnaval de Porto Alegre, sendo que pouquíssimas escolas mantém suas baterias próprias e consegue realizar seus trabalhos durante o ano. E aí pergunto: Como ficam as outras escolas que não conseguem mais ter suas próprias baterias? Acredito que a solução seja fazer oficinas, fazer projetos sociais dentro da escola, que só assim vamos conseguir formar novos ritmistas.


Hoje, o nosso carnaval de Porto Alegre não tem mais a mesma exigência de algum tempo atrás, com os mestres e diretores de bateria tendo o conhecimento em executar os instrumentos, sobre afinação na qual utilizar e no ritmo a ser dado para o samba enredo. Claro que temos grandes mestres e diretores de bateria, tanto os renomados e quanto os mais novos que estão chegando agora e que também entendem muito de música, afinação, sendo conhecedores do nosso carnaval.


Para ser um mestre ou diretor de bateria, mata-se um leão por dia, dorme e acorda pensando no que fazer na sua bateria, porque hoje em dia se o mestre não ligar, não mandar mensagem, não incomodar o seu ritmista, não terá ritmista para ensaiar. Acredito que hoje em dia 60% dos ritmistas, vão mesmo pela consideração ao mestre e diretores de bateria. É preciso pensar e fazer uma ação conjunta: mestres, direção da escola e comunidade, pelo bem das nossas baterias e do futuro do nosso carnaval.


(*) Krlinhos Alcântara tem 35 anos, é mestre de bateria com passagens como ritmista por Acadêmicos da Orgia, Imperadores do Samba, Bambas da Orgia, Estado Maior da Restinga e Academia de Samba Puro; diretor no Império da Zona Norte; e mestre na Academia de Samba Puro e Unidos de Vila Isabel. Premiado com troféus Estandarte de Ouro, Setor 1, Udesca, TamoJunto e Camarote Cultural.

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