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"A minha vida importa" - o clamor no samba enredo do Império do Sol para 2022

Escola movimentou as redes sociais com a divulgação do samba vencedor do seu festival.


Com o enredo "A Carne Mais Barata do Mercado Será Sempre a Carne Negra?", o Império do Sol levará para a avenida uma temática que, nos últimos anos, tem sido pautada em diversas discussões no dia a dia da sociedade brasileira: o racismo estrutural. De autoria de Tainara Cáceres, Ramão Carvalho e Altamiro Lopes, o enredo busca explorar na história do Brasil as mais diversas questões que relegaram à população negra inúmeras barreiras, exclusões e estigmas racistas que insistem em ser reproduzidos ainda hoje. A ideia também é clamar por respeito, equidade e humanidade dos corpos negros, valorizando, principalmente as conquistas e contribuições socioculturais da comunidade negra na formação e evolução do país.


Arte divulgada pela escola. Fonte: Império do Sol

E para cantar este enredo potente, a escola escolheu o samba de Vinicius Brito, Vinícius Maroni, Saimon e Fábio Canalli como vencedor do seu festival interno. Confira abaixo a obra que embalará o desfile da Majestosa do Vale dos Sinos no próximo carnaval. O samba, divulgado pela escola, está na versão concorrente, portanto, sem a voz do intérprete oficial, Joel Alves.



O sangue preto Escorrendo na sarjeta Foi sufocado antes da execução Tem cor suspeita Faz a sola do coturno Tatuar no meio-fio O bafio da escravidão A marca da escravidão! É o mesmo sangue Na senzala açoitado E traficado em tumbeiros ao Brasil Fez a fortuna de barão, estancieiro Branco cruel, “explora a dor” Ferida aberta que o sal não cicatrizou Ferida aberta que o meu “Sol” iluminou


Mãe África, o que será de nós? Que sua mão desate os nós Ao pulsar do meu tambor Escute a voz do terreiro No apelo desse macumbeiro Liberte minha gente, por favor (Por favor!)


Liberte minha gente da favela Minha preta, salve ela! Oiáiá! E essa dor que espanto no pandeiro Preso em novo cativeiro sem um lar E resisto com a força que o preto encara É Palmares, é quilombo, Zumbi e Dandara Um lanceiro de Porongos que o tempo não cala Nem vai calar… Meu canto, minha prece, meus tambores, meu axé! Minha fé! Que arrasta nossa raça Que é guerreira e diz no pé À vitória da ralé!


Canta, Império do Sol A carne mais barata hoje vai gritar Alto feito um baobá A minha vida importa Ninguém mais vai comprar (Peço axé, Saravá!)