• Confraria Da Folia

A sinopse e o Festival de Samba dos Imperadores para o carnaval 2020

Escola homenageará o pintor Iberê Camargo no próximo carnaval. Foto capa: Fábio Cruz/Comunicação e Marketing Imperadores


Atual bicampeã do carnaval, a Imperadores do Samba já divulgou seu calendário para o festival que irá escolher o samba enredo do seu próximo desfile. O primeiro grande encontro com os compositores acontece neste sábado, 31, a partir das 19h na quadra, onde haverá apresentação do enredo e o primeiro tira dúvidas. Confira abaixo o cronograma fornecido pela escola.


31/08/2019 - 19h – Reunião com Compositores - Apresentação do Regulamento e do Enredo

24/08  a 19/10/2019 – Inscrição de Sambas – Por E-mail ( festival@imperadoresdosamba.com.br ) ou entrega na Quadra (a partir das 17h)

21/10/2019 – Audição de Sambas de Enredo – 1ª etapa do Festival

23/10/2019 – Divulgação dos Sambas Classificados no Site/Face da escola.

24/10/2019 - 20h – Reunião com Compositores (na quadra) para Esclarecimentos.

26/10/2019 – 1ª Eliminatória Festival de Sambas de Enredo.

09/11/2019 – 2ª Eliminatória Festival de Sambas de Enredo.

23/11/2019 –  Final do Festival de Sambas de Enredo


Confira a sinopse da vermelho e branco para o carnaval 2020:


Iberê, das Águas da Arte, o Homem que Se Fez Rio


Logo oficial carnaval 2020 Imperadores

Justificativa


A Imperadores do Samba, atual bicampeã do carnaval de Porto Alegre, assume o

papel de protagonista em seu segmento cultural, tornando-se responsável não só pelo

propósito de realizar grandes desfiles de carnaval, mas também, por levar ao grande

público carnavalesco desenvolvimento cultural de qualidade. Nestes 60 anos de samba e

de resistência, nossa escola com característica vanguardista, entende que o povo

carnavalesco não deve ficar restrito às suas histórias e às suas origens, pois o Carnaval

como importante ferramenta cultural e social deve levar aos seus, além de

entretenimento, novos horizontes e descobertas históricas, enriquecendo assim a

bagagem cultural de todos.


Objetivando uma troca de conhecimento entre dois segmentos que aparentemente

são antagônicos, nosso carnaval de 2020 vai buscar inspiração na vida artística de Iberê

Camargo, um dos maiores artistas do nosso Rio Grande do Sul. Seu trabalho, assim

como o da Imperadores do Samba, tem como objetivo tornar a vida das pessoas mais

feliz, mais criativa, porém, sem deixar de mostrar a realidade do mundo que vivemos.

Juntos, Imperadores e Iberê buscam ampliar o alcance e o acesso cultural de seus

respectivos seguidores, levando o popular onde ele não consegue chegar e levando o

pensamento artístico onde, talvez, jamais fosse conhecido.


A Fundação Iberê que, desde o início dos anos 90 é a responsável pela

preservação, estudo e disponibilização do acervo do artista, tem como um de seus

fundamentos a difusão da obra de Iberê com os diversos públicos da nossa sociedade,

motivo esse que ratifica ainda mais essa união cultural. No carnaval de 2020 a paleta de

cores da Escola do Povo vai além do vermelho e branco, promovendo uma grande

exposição de arte na avenida, dando espaço a um vasto mundo multicor, iluminado pela

luz de um dos maiores nomes da arte moderna brasileira, chamado Iberê Camargo.


Sinopse


Iberê.

Da fundação debruçada sobre o rio. O rio sobre o rio.

Da inquietude, o seu legado.

Templo onde o artista se liga ao infinito e ganha a liberdade que sempre buscou:

À beira do rio.

Iberê, da raiz indígena.

Rio que se arrasta, rasteiro.

Segue seu curso, irrefreável, rumo ao infinito azul.

Iberê, do coração do Rio Grande.

Menino que cedo a arte descobriu.

E não segura em si o anseio de libertação que eclode em seu espírito.

Iberê, menino rio.

De caudalosa expressão artística a desaguar na passarela...

Sua fonte a brotar na terra seca.

Os trilhos de ferro cortam o chão arenoso.

A poeira do solo, ao subir com o soprar do vento, se mistura com a fumaça da locomotiva

que chega à estação.

O casario cinzento e amarelado, amadeirado, insólito.

No papel de embrulho, o menino rabisca. As gotas da inspiração a tomar sua mente.

Um trem, um homem, uma casa, uma árvore.

De risco em risco, a nascente aflora em um pintor, que não se deixa limitar pelo que se

vê.

E vai seguir seu curso, então jovem, feito rio tomando forma e direção.


As águas vão chegar em Santa Maria da Boca do Monte, na Escola de Artes e Ofícios.

As águas vão refletir as previsões do andarilho.

O arauto da loucura no espelho mágico do destino.

As águas vão banhar a capital do Estado, beijando um “Porto”, cheio de expectativas e

enlaces para todo o sempre.

Águas turvas em trechos de melancolia encontram cristalina paixão.

Instituto de Artes e Maria.

Arquitetura e revolução, de arte, de vida.

Um brado de inspiração, um retrato popular.

A correnteza vai seguindo seu caminho, desenhada, pintada, papel, óleo sobre tela.

Faz do Piratini sua primeira galeria.

Jaguari, “assim começa a história de um pintor”.

Paisagem, o expressionismo em sua mais alta definição.

Era o talento do novo artista a navegar rumo à capital da República.

Não se aquietava na obviedade artística, clássica, acadêmica.

Buscava mesmo era o repouso nas turbulentas pinceladas que transfiguravam a pintura,

sua forma de expressão.

“Vermelhou” inspiração na palheta agitada do pintor.

Um verdadeiro encontro de gênios que “une” saber, vontade e técnica ao artista que

despontava nos jornais, revistas, exposições e premiações pelo país. Contribuindo na

cultura popular, seus traços retratam o povo.


E as águas de sua criação vão rumando ao encontro de um novo oceano: Europa.

Partida: “A arte é uma linguagem que se renova a cada época”.

Roma, Veneza, Paris.

Regresso: “Na Europa, eu tratei de semear. Agora eu espero colher”.

Novos pensamentos e visão de mundo, onde a inspiração está dentro de si mesmo.

Pintura, gravura, mestre e aprendiz.

As suas obras em Salões e Bienais.

A sua técnica em bailes, festas, carnavais.

Natureza, paisagens, o cotidiano.

Sempre o povo, o popular: gravura, metal, nanquim.

Rolam as águas, explodem cores e formas: rabiscam seus pincéis... Carretéis.

Estáticos, em movimento, dinâmicos, vivos.

O artista vai ao “Núcleo” da criação, expande sua liberdade artística.

Mas também cai em desilusão, escurecendo a inspiração, os traços, as telas.

Em tempos sombrios, a criatura exibe o real sentimento do seu criador.

“Solidão” em tela, inquietude em vida.

Águas turbulentas que invadem a alma de um gênio sem igual.


Seguindo o curso de sua vida, Cidadão de Porto Alegre,

com honrarias ao seu mérito cultural.

Nos deixou para virar símbolo de uma arte jamais vista. O homem se fez rio e fez

desaguar pelo mundo toda sua grandeza.

O encontro das águas que abraça o saber, a história, a cultura.

O encontro das águas que banha o nosso território, também de saber, história e cultura.

À beira do mesmo rio, onde as telas expostas refletem a genialidade de seu criador,

tambores ecoam, saudando a ancestralidade de um povo guerreiro.

E inquieto, tal qual Iberê.

Um povo que faz da arte a sua manifestação mais vibrante navega por um “mar” de pura emoção.

Os leões da Imperadores bebem na fonte de Iberê e juntos assinam o novo quadro da

exposição carnavalesca: “Vermelho e branco, campeão do carnaval”.


Desenvolvido por:

Éder de Barros

Fábio Castilhos

Édy Dutra