• Confraria Da Folia

A visão por trás das nuvens

Além da pandemia, teremos que lidar com as incertezas das diretrizes do carnaval.


(*) Por Édy Dutra


Não é novidade para ninguém o atual momento mundial de pandemia por conta do coronavírus. Por mais que os esforços para uma possível retomada estejam acontecendo, é difícil, para qualquer circunstância, cravarmos certezas sobre o futuro. A pandemia, no Brasil, escancarou a nossa gravíssima desigualdade social, além de colocar à prova a competência dos governantes para que tomem atitudes que possam, ao mínimo, controlar o alastramento do vírus. Todos os setores possíveis foram afetados, e, por óbvio, com a cultura, que é pura aglomeração, não foi diferente.


Carnaval 2020. Foto: Kellory Moraes / Confraria da Folia

Puxando a brasa para o nosso assado, temos o carnaval como grande incógnita para o próximo ano. Aliás, pensar em carnaval em plena pandemia, para muitos, tornou-se até uma ofensa, um desrespeito com a sociedade que padece diante do vírus. Entendo que há o lado do luto social, válido, legítimo, mas também compreendo que há o lado do retorno, do pós pandemia e que uma coisa não precisa anular a outra, desde que todas as ações sejam tomadas de forma consciente e com responsabilidade.


Rio de Janeiro e São Paulo já vêm estudando as possibilidades (ou não) de realização dos festejos carnavalescos, incluindo os desfiles das escolas de samba. Não é apenas uma questão de aglomeração ou não. Já é sabido que lá pra cima o carnaval arrecada bilhões de reais, que servem para investimentos em outras áreas, incluindo a saúde, a educação e a segurança. Ou seja, cancelar o carnaval pode representar uma baixa significativa na arrecadação dos estados e municípios. Reforço, mais uma vez: é preciso estudar todas as possibilidades e situações.


Dito isso, foco aqui no carnaval de Porto Alegre, onde, ao meu ver, teremos um novo episódio de luta após a pandemia: a gestão do carnaval. O fato é que, em meio essa nebulosidade da pandemia, a visão depois das nuvens não parecem ser tão amenas para o nosso carnaval.


E confesso que, para mim (usando um pouquinho de sarcasmo), demorou até chegarmos nesse embate, de QUEM manda no quê e o QUANTO manda.

Nos últimos dias, mesmo que de forma discreta, se percebe uma divisão dentro das instituições que organizam os desfiles. A disputa por poder dentro do nosso carnaval também nunca foi novidade. E a tendência era mesmo isso se acirrar, à medida que nos últimos anos estamos lidando com 2 entidades representativas.


Os interesses das escolas da elite nunca foram os mesmos das escolas do acesso. Não há um pensamento no conjunto, porque há sempre interesses individuais sendo pautados com mais urgência.

É uma linha com muitos nós. E hoje, um dos nós mais notórios dessa disputa é justamente a falta de uma voz única na tomada de decisão, seja para lidar com o poder público, seja para lidar com a parceria privada e seja para lidar com o próprio público carnavalesco, que também segue na dúvida sobre quem responde pelo carnaval. Por trás das nuvens da pandemia, podemos aguardar ainda muitos desdobramentos desta crise que pode vir a eclodir de forma muito mais explícita.


Quem leva? Foto: reprodução.

"Mas Édy, nós já temos uma crise de gestão no carnaval?" Até o momento, ninguém declarou que não há, porém, os indícios estão sendo divulgados de forma muito clara. É esperar para ver... Só nos resta torcer para que, ao final disso tudo, todas as escolas consigam ter, pelo menos, um saldo positivo, alguma conquista significativa para o futuro do carnaval. Geralmente, quando há um duelo de gigantes, os pequenos são os mais sacrificados.



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