• Confraria Da Folia

Carnaval é do diacho!

O papel do carnaval neste tempo tão delicado para a sociedade.


(*)Por Pedro Linhares

Ainda se ouve muito e não é incomum vincular o mundo do samba ao satanismo, à exaltação da sexualidade, da perversão, das drogas e etc, mesmo no século em que vivemos. Ações sociais e de coletividade custam a ter visibilidade na grande mídia, ainda mais quando ocorrem em uma quadra de escola de samba ou parte de uma ação de integrantes de uma Escola de Samba. Mas o samba adora uma subversão, não é mesmo?


Tomados por um senso de união e de empatia com os mais necessitados, grupos carnavalescos agiram de imediato para fazer sua parte e ir além de produzir conhecimento e instigar a cultura.

Temos exemplos de compromisso social na redes sociais das grandes escolas da capital gaúcha, fazendo que seu povo, muitos deles idosos, crianças e que fazem parte de comunidades onde a informação demora a reverberar sem ruídos. Imperadores do Samba e Bambas da Orgia, por exemplo usaram as redes sociais para tal movimento. Na Zona Sul, a Estado Maior da Restinga, em parceria com a Cufa (Central única das favelas) distribuiu 250 cestas básicas para moradores do bairro.


A onda de benevolência chegou também em Viamão, cidade da região metropolitana, onde Unidos de Vila Isabel divulgou também em rede social a importância do isolamento social neste momento deliciado. E mesmo que estreante na disputa para o próximo ano, a Império dos Herdeiros está engajando para as doações para os mais necessitados. Dentre estas e outras ações, vemos sim a coletividade no mundo carnavalesco, marcado pela paixão de seus torcedores aos seus pavilhões, dando o recado, mais uma vez, que a competição é só na avenida.

Entre tantas incertezas e preocupações acerca de seus espetáculos e até mesmo de suas condições financeiras para um próximo ano de desfiles, a valorização do ser humano visto em simples ações só validam o quanto temos que aprender com as escolas da vida, as escolas de samba.


Entender que a arte e a saúde são aliadas em momentos de crise e tensão é para poucos. Que se multipliquem ações de amor e de benevolência.

“De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: 'Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se', sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta”.

( Tiago 2: 14-17). Carnaval realmente é coisa do diacho!