• Confraria Da Folia

Mostra de Samba... e das Baterias

Evento que reuniu as escolas do Grupo Ouro teve quadra lotada e baterias roubando a cena nas apresentações. Canto das escolas deixou a desejar.


A noite de sexta-feira, 25, foi uma das mais esperadas dos últimos tempos pela comunidade carnavalesca. A Mostra de Sambas Enredo é um evento tradicional do pré-carnaval da cidade e, no atual momento em que a folia se encontra, sua realização era de extrema importância - tanto pela afirmação cultural quanto pela credibilidade do evento. E ela, de fato, aconteceu, mostrando que o carnaval de Porto Alegre está vivo e ávido por dias melhores que certamente hão de vir, se depender do público que lotou a quadra da Imperatriz Dona Leopoldina do início ao fim.


As seis escolas levaram seus grupos shows para a pista, com muita empolgação. Mas o grande destaque da mostra foram as baterias. Baterias numerosas, mostrando um verdadeiro show de ritmo, mostrando a qualidade de nossos mestres e ritmistas. Parabéns! Abaixo, um pouco do que foi destaque em cada uma das apresentações.


Império da Zona Norte


Abrindo as apresentações da noite, a Império da Zona Norte apresentou seu samba "Império em Devoção Exalta São João", cantando a devoção ao santo e também os ritos e costumes dos festejos juninos. Foi a estreia oficial do novo microfone 1 da escola, Gabriel Pereira, o mais jovem intérprete do carnaval 2019.


Assim como nos últimos anos, a Império apresentou um mais belos sambas do carnaval, que foi conduzido com maestria pela bateria de Mestre Chiquinho, que vai para o seu quinto carnaval à frente da bateria dos leões alados. Caio e Ana Marilda seguem na parceria, conduzindo o primeiro pavilhão do Império pelo quinto ano consecutivo, dispostos a garantir os 40 pontos, como fizeram no último carnaval.


Ariadne, porta-estandarte da escola, chamou atenção pelo bailado e a vestimenta, elegante e ressaltando o amarelo do pavilhão. Quem também se destacou foi o trio da bateria: a madrinha Alana, a rainha Sheliane e o rei Éder mostraram samba no pé e belo entrosamento.


Bambas da Orgia


A escola enfrentou a queda de luz, se apresentando no escuro por mais de 20 minutos. Porém, nem isso tirou a garra da escola, que fez uma das melhores exibições da noite. Com um grupo show numeroso, a azul e branco apresentou seu samba "É Tempo de Liberdade! No Centenário de Mandela, Sou Bambas da Orgia, a Águia Altaneira da Igualdade". Mantendo a tradição, Bambas mostrou bom gosto nas vestimentas de seus destaques, predominando o azul, e muito brilho.


A Comissão de Frente fez uma exibição especial na abertura do show da escola, indicando a temática do enredo. Gustavo Tiriri foi apresentado oficialmente como novo mestre-sala da escola, retornando para o ninho da águia após 10 anos. Fabiana Almeida segue conduzindo o primeiro pavilhão. A harmonia musical de Porto Alex e a bateria Trovão Azul de Mestre William fizeram o público vibrar ao som dos grandes clássicos da escola.


Não apenas o público vibrou, mas os próprios integrantes do Bambas. A apresentação foi enérgica e com muito samba no pé. Destaque para Nanda Rocha, primeira passista da escola, que exibiu beleza e graça ao lado de Adilson.


União da Vila do IAPI


Vice-campeã no último carnaval (2017), a Vila do IAPI foi a terceira escola a se apresentar, mostrando o samba "O Voto é Tua Única Arma, Prazer! Sou Alceu de Deus Collares, de Bagé". A tricolor da zona norte trouxe o grupo de passistas da Plusamba Sul, de sambistas plus size, e recebeu muitos aplausos do público.


O perfeito entrosamento entre Gerson Silva (o Borracha), intérprete da escola, e a bateria Coração da Vila, comandada pelo Mestre Boneco, foi o ponto alto da apresentação da Vila. É, sem dúvidas, um dos principais trunfos do trem da alegria no próximo carnaval. Quem também chama atenção é a Tainá Borba, rainha da bateria. Com muito samba no pé, a bela manteve o ritmo durante toda apresentação, atraindo os olhares do público e retribuindo com muita alegria e energia.


Destaque também para a multipremiada Cris Pereira, porta-estandarte da Vila, que dominou a pista de apresentações com seu giro.


Imperadores do Samba


Atual campeã, a Imperadores do Samba mostrou uma das melhores apresentações da noite. A vermelho e branco levou o grupo mais numeroso para a pista, para apresentar seu samba "Imperador 60 Anos - O Eterno Brilho de um Diamante Negro". A bateria Sinfônica tem se tornado o grande destaque da escola nos últimos anos e provou isso na apresentação, com a perfeita sincronia e andamento, conduzindo o show da escola com muita animação.


Os três casais de mestre-sala e porta-bandeira fizeram belas apresentações. Alisson e Nathy exibiram o primeiro pavilhão com segurança, mostrando que o entrosamento da dupla segue firme para a estreia na avenida no próximo carnaval. Assim como Bambas da Orgia, Imperadores mostrou muito samba no pé com seus passistas e cabrochas.


Destaque para Raquel Nunes, madrinha da bateria, que deu show de samba no pé e interação com os ritmistas. Figura marcante na escola, Raquel vai para o seu 13º carnaval à frente da Sinfônica.


Estado Maior da Restinga


A voz potente de Everton Rataeski casou (e muito bem) com o Estado Maior. O intérprete se mostra à vontade para cantar o samba "Em Terras Tinguerreiras Prevalece a Verdade, Quem Foi Rei Nunca Perde a Majestade!". A bateria dos Tinguerreiros provou que segue sendo uma das melhores do carnaval, mesmo após a saída de Mestre Guto. A corte da bateria (formada pela madrinha Viviane, a musa Lu Lima (Fofa), o rei Wellington, a rainha Caren e a imperatriz Jéssica) chamou atenção pela beleza e samba no pé, engrandecendo o show da tricolor da zona sul.


Leandro Chuca e Dayane Machado dançam juntos novamente, agora defendendo o pavilhão do cisne. A Comishow também marcou sua estreia na tricolor da zona sul, mantendo seu estilo caricato nas apresentações.


Destaque para o casal de passistas, Giovani e Tay, que incansavelmente, mostraram samba no pé e entrosamento ao longo de toda apresentação. A dupla vai para o seu segundo carnaval na Restinga e promete dar show na avenida.

Imperatriz Dona Leopoldina


Os primeiros raios de sol já surgiam quando a Imperatriz Dona Leopoldina iniciou sua apresentação. A laranja e preto mostrou o samba que irá homenagear a cidade de Triunfo. A harmonia segue capitaneada por Márcio Medina. Na bateria Laranja Mecânica, o comando fica por conta dos mestres Eliéser e Kelvin, que apresentaram um bom trabalho na condução do samba da escola.


Assim como no Bambas, também houve estreia de mestre-sala na Imperatriz. Carlos dos Anjos assume o primeiro pavilhão ao lado de Nathielle Lemos, que vai para o seu segundo carnaval como porta-bandeira da Imperatriz. E o casal já mostrou um belo entrosamento em sua estreia oficial.


Destaque para a dupla de passistas, Carlos Henrique e Lu Gomes, que estreiam na Imperatriz. Os dois fizeram uma bela apresentação e certamente o feito se repetirá na avenida.


Mas... E o canto das escolas?


Sendo a mostra de sambas um evento para que as escolas apresentem seus sambas, um fator deixou a desejar: o canto das escolas. Tanto por parte do público presente quanto dos próprios integrantes dos grupos, que mesmo sambando animados, pouco cantavam, o que parece contraditório...


Apenas Imperadores e Imperatriz trocaram de enredo e samba, do carnaval de 2018 para 2019. As demais mantiveram suas obras. Porém, ainda assim, o canto das escolas não pareceu satisfatório. E mesmo Imperadores e Imperatriz com sambas novos, também carecem de um canto mais forte de seus componentes.


Para um carnaval que deve valorizar muito mais o chão da escola do que o plástico visual, cantar o samba na avenida será o grande desafio para as comissões de Harmonia Geral.