• Confraria Da Folia

O CETE e o pioneirismo do "bando de loucos"

Centro de Estudos comemora 8 anos neste dia 19, reencontrando sua essência.


(*) Por Édy Dutra




Foi ao final da terceira turma do curso de tema enredo criado por Sérgio Peixoto que o CETE foi fundado, o Centro de Estudos e Pesquisa Sobre Tema Enredo e Memória do Carnaval. Eu não estava no dia da fundação. Mas me sinto como tal, justamente por acompanhar de perto todo esse processo que deu origem a esta instituição tão ímpar no carnaval de Porto Alegre. De fato, o Peixoto era um visionário, apaixonado por carnaval, por enredo. Ora, quem diria que aqui no Sul do país, sairia o pioneirismo de falar (não apenas falar, mas estudar, compreender, criar, criticar, aprimorar, desmembrar) o quesito enredo fora do eixo Rio-São Paulo?


Lembro-me bem que, dentre tantos convidados ilustres que o CETE já recebeu ao longo desses 8 anos, todos foram unânimes em afirmar: vocês são pioneiros. Era abril ou maio, e as tardes de sábado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul já começavam a fervilhar.


Nem o inverno rigoroso era capaz de esfriar o calor daquelas pessoas que insistiam em saber, em trocar ideias, em estar rodeados de gente que, assim como elas, também eram tidas como loucas! Afinal, quem em sã consciência vai falar de carnaval numa época dessas? Sim, nós falamos. O CETE fala.

E foi falando de carnaval ao longo do ano inteiro que ele recebeu em seus encontros nomes como Fernando Pamplona, Noca da Portela, Rachel Valença, Alex de Souza, Junior Schall, Jorge Freitas, Maria Aparecida Urbano, Carlinhos de Jesus, Nenson Marconi, Cláudio Brito, Mestre Guto, Isabel Cristina, Marcelinho, Girozinho, Júlio César Farias, Marcos Batucada, Angelina Basílio, Serginho Ferreira, entre tantos outros nomes do nosso carnaval, sejam eles do Rio, de São Paulo, Porto Alegre, de onde for. Peixoto dizia: "O CETE é um grande tambor, o que se fala aqui, pulsa para o mundo". O CETE foi além fronteiras.


O CETE se tornou o ponto de encontro da galera do carnaval, um espaço onde grandes amizades foram construídas. Um "bando de loucos" como Peixoto costumava dizer... Ali, trabalhos de final de curso viraram enredos nos carnavais Brasil a fora...Bem no fundo, o CETE foi pensado para UNIR: ideias, conceitos, conteúdos, pessoas. E fez muito mais que isso: provou que carnaval é uma paixão avassaladora que dura muito mais do que 4 dias lá em fevereiro ou março. Com CETE, se vive carnaval o ano inteiro.


O CETE foi instrutor, jurado, um grande celeiro de múltiplos talentos... Também foi julgado, acusado, recolhido, abraçado, reerguido. E assim ele vai seguindo, se moldando aos novos tempos sem o seu grande mentor. Mas, que com certeza, de onde ele estiver, vai estar abençoando os passos que sua grande criação realiza e ainda irá realizar.


FESTA PARA CELEBRAR OS 8 ANOS


No próximo sábado, dia 23, o CETE irá festejar seu aniversário reunindo integrantes e amigos para um grande encontro. O evento acontece no Bar Sabor da Vida (Lima e Silva, 286, Cidade Baixa), a partir das 20:30. A entrada é gratuita e haverá ainda um super show de samba.