• Confraria Da Folia

Um suspiro de esperança no carnaval de Porto Alegre

(*) Por Édy Dutra

(**) foto: Marcela Panke / ClicRBS



Dezembro chegou com novidades para o carnaval de Porto Alegre. Principalmente pelo anúncio de que, independente do apoio do poder público ou do setor privado, haverá desfile no Porto Seco em 2019. Quem garante isso são algumas escolas da Série Ouro (Bambas, Imperatriz, Restinga, Vila do IAPI e Imperadores), que devem ganhar apoio da UECEGAPA, que gerencia o carnaval das séries Prata e Bronze. O desfile será competitivo, mas o formato ainda não foi divulgado. Será um carnaval fora de época, nos dias 15 e 16 de março.


A decisão tomada pelas escolas mencionadas expõe claramente o racha que há na gestão do carnaval.

A Liespa (Liga Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre) em nenhum momento se manifestou sobre o caso, o que comprova o movimento de não participação da mesma neste processo de retomada dos desfiles. As demais escolas que compõem o primeiro grupo - Império da Zona Norte, Embaixadores do Ritmo e Acadêmicos de Gravataí - também não se manifestaram sobre o fato.


É possível afirmar que um novo rumo em termos de organização do carnaval possa estar surgindo, principalmente com o esvaziamento da Liga. A UECEGAPA, que até então estava tomando frente das negociações com a iniciativa privada e poder público, segue com seu trabalho e certamente se aliará às demais escolas para fortalecer os desfiles (a entidade havia anunciado seus desfiles para o dia 01 de março, na Orla do Guaíba, região central da cidade).


De fato, é um suspiro para o carnaval da capital. E por mais que incertezas quanto à estrutura, ao formato, aos grupos, fiquem pairando pelo ar, o movimento já valeu pela união das escolas. E pela saída da inércia que tanto angustiava (e desmotivava) o folião.


É o suspiro que também pode trazer a reflexão, da mudança e reavaliação da gestão e da viabilidade do carnaval de Porto Alegre. Até quando o carnaval irá resistir sendo conduzido com medidas emergenciais?

Esqueçam os desfiles na proporção como tínhamos há 5, 10 anos atrás. Não teremos isso por enquanto. Mas teremos o nosso carnaval, valorizado no chão das escolas, na integração dos sambistas. O nosso futuro vai depender (já está dependendo) de ações como fazíamos no passado: é comparecendo aos ensaios, é cantando o samba da sua escola, é motivando as iniciativas dos colegas em agregar, é doar seu tempo para fazer a fantasia, para ensaiar a ala coreografada... Vai ser dos pequenos gestos que vamos nos reconstruir.


Uma agenda de atividades de pré carnaval deve ser anunciada em breve. Tudo indica que aos poucos vamos retomando o eixo. Assim espero, e creio que os demais foliões também.